Você é garçonete e eu sou cliente, você é motorista e eu sou passageiro, você é pedestre e eu sou ciclista, você é bibliotecário e eu sou leitor, você é uma coisa eu sou outra coisa.
E neste momento de fazer/ser assumimos posturas, gestos, falas e interpretamos alguém diferente a cada instante.
Fomos treinados para isso. Treinados para andar de bicicleta, subir no ónibus e pagar passagem, vestir a roupa adequada para cada ocasião.
Se não fosse assim estaríamos perdidos num mundo estranho. O que fazer neste local cheio de livros? Posso pegar da prateleira? Tenho que pedir para aquele senhor atrás da escrivaninha.
Cada detalhe é aprendido, regras assimiladas através de um mentor ou de imitação.
É tanto detalhe no dia a dia para sermos a cada momento alguma coisa, que quando o ser social se aposenta, fica feliz que agora pode relaxar e descansar. Mas neste momento ele tem que deixar de imitar, de interpretar, para ser ele.
Você, neste momento não é mais estudante, fiscal, engenheiro, médico. É somente você, senhor Rodrigo, senhora Maria, Senhor Eduardo.
Neste momento vem o susto, mais um velho. Não é ninguém. Pois na vida inteira alimentou a fantasia do jaleco, do guarda-pó, do uniforme. Da fantasia que trazia o sustento necessario da continuidade da fantasia da família.
Agora tem construir a tua identidade, ou relembrar as interpretações passadas. Que se ninguém escrever, filmar, gravar, vai morrer contigo em algumas lembranças perdidas.
Doutor, capitão, mestre, titular. Alguns preferem morrer exercendo a profissão. Medo da aposentadoria.
Então futuro engenheiro. Que entra no onibus e finge que não ve os outros, afinal, são meros passageiros entre 150 apertados naquela lata conduzido por um motorista como todos os motoristas. Olhe para as pessoas. Descubra que não são meros passageiros. Cada um é rico, tem sua história, porta um nome que identifica o perigo e a solução, o amigo e o indiferente.
Não são pedestres a nossa volta. Banalizamos por defesa, já tem tantas regras para decorar. Agora pessoas?
Numa capital passam por você 3985 pessoas numa caminhada de 10 quadras. Não é exatamente este numero, num dia de final de copa com jogo do Brasil é capaz de cruzar apenas com 5 no mesmo trajeto.
Nosso cérebro cabe numa tigela. Não temos tanta capacidade de valorizar tanta gente. Mas isso não é desculpa para sorrir para quem está na tua frente. De aprender sobre si e sobre o outro.
Essa essência tem mais valor que a máscara mundana que faz que você despreze o gari, o lixeiro, o motoqueiro da pizza, a tia que limpa o banheiro. Pois a máscara deles é mais humilde.
Então cabeça de tigela. Acorde, que atrás dessa vestimenta de teatro, todos temos uma essência que não deve ser esquecida e que precisa ser estimulada. O mundo é mais que máquinas, perfumes, tom de voz autoritário e palavras bonitas e seres humanos.
Tanto para ver, tanto para sentir, para participar com os outros. Quando perceber isso pode pensar que é tarde demais. Cansado para continuar.
sexta-feira, 18 de setembro de 2009
quarta-feira, 16 de setembro de 2009
venenos
Há venenos tão sutis que, para conhecê-los, cumpre experimentá-los.
Há males tão estranhos que, para lhes entender a natureza , é preciso contraí-los.
oscar wilde - fragmentos
Há males tão estranhos que, para lhes entender a natureza , é preciso contraí-los.
oscar wilde - fragmentos
domingo, 13 de setembro de 2009
quinta-feira, 10 de setembro de 2009
Acrobata da dor
Gargalha, ri, num riso de tormenta,
como um palhaço, que desengonçado,
nervoso, ri, num riso absurso, inflado
de uma ironia e de uma dor violenta.
Da gargalhada atroz, sanguinolenta,
agita os guizos, e convulsionado
Salta, gavroche salta clown, varado
pelo estertor dessa agonia lenta...
Pedem-te bis e um bis não se despreza!
Vamos! reteza os músculos, reteza
nessas macabras piruetas d'aço...
E embora caias sobre o chão, fremente,
afogado em teu sangue estuoso e quente,
ri! Coração, trístissimo palhaço.
Cruz e Sousa
Literatura Comentada.
como um palhaço, que desengonçado,
nervoso, ri, num riso absurso, inflado
de uma ironia e de uma dor violenta.
Da gargalhada atroz, sanguinolenta,
agita os guizos, e convulsionado
Salta, gavroche salta clown, varado
pelo estertor dessa agonia lenta...
Pedem-te bis e um bis não se despreza!
Vamos! reteza os músculos, reteza
nessas macabras piruetas d'aço...
E embora caias sobre o chão, fremente,
afogado em teu sangue estuoso e quente,
ri! Coração, trístissimo palhaço.
Cruz e Sousa
Literatura Comentada.
sobre a sabedoria
A sabedoria exorta à prudência com citações do livro da covardia , cujo autor se disfarça sob o nome de senso comum.
Consciência e covardia são na verdade , a mesma coisa.
Oscar Wilde - Fragmentos
Consciência e covardia são na verdade , a mesma coisa.
Oscar Wilde - Fragmentos
segunda-feira, 7 de setembro de 2009
janela sobre uma mulher
i
Essa mulher é uma casa secreta.
Em seus cantos, guarda vozes e esconde fantasmas.
Na noite de inverno, jorra fumaça.
Quem entra nela, dizem, não sai nunca mais.
Eu atravesso o fosso profundo que a rodeia.
Nessa casa serei habitado. Nela me espera o vinho que me beberá.
Muito suavemente bato na porta, e espero.
Eduardo Galeano
Essa mulher é uma casa secreta.
Em seus cantos, guarda vozes e esconde fantasmas.
Na noite de inverno, jorra fumaça.
Quem entra nela, dizem, não sai nunca mais.
Eu atravesso o fosso profundo que a rodeia.
Nessa casa serei habitado. Nela me espera o vinho que me beberá.
Muito suavemente bato na porta, e espero.
Eduardo Galeano
domingo, 6 de setembro de 2009
A bruxa - trecho
(...)
estou sozinho no quarto
estou sozinho na América.
Estarei mesmo sozinho?
Ainda há pouco um ruído
anunciou vida a meu lado.
Certo não é vida humana,
mas é vida. E sinto a bruxa
presa na zona de luz.
(...)
E nem precisava tanto...
Precisava de um amigo,
desses calados, distantes,
que lêem verso de Horácio
mas secretamente influem
na vida, no amor, na carne.
Estou só, não tenho amigo,
e a essa hora tardia
como procurar amigo?
Carlos Drummond de Andrade
estou sozinho no quarto
estou sozinho na América.
Estarei mesmo sozinho?
Ainda há pouco um ruído
anunciou vida a meu lado.
Certo não é vida humana,
mas é vida. E sinto a bruxa
presa na zona de luz.
(...)
E nem precisava tanto...
Precisava de um amigo,
desses calados, distantes,
que lêem verso de Horácio
mas secretamente influem
na vida, no amor, na carne.
Estou só, não tenho amigo,
e a essa hora tardia
como procurar amigo?
Carlos Drummond de Andrade
sábado, 5 de setembro de 2009
quarta-feira, 2 de setembro de 2009
tonight
Time is never time at all
You can never ever leave without leaving a piece of youth
And our lives are forever changed
We will never be the same
The more you change the less you feel
Believe, believe in me, believe
Believe that life can change
That you’re not stuck in vain
We’re not the same, we’re different tonight
Tonight, so bright
Tonight
And you know you’re never sure
But you’re sure you could be right
If you held yourself up to the light
And the embers never fade in your city by the lake
The place where you were born
Believe, believe in me, believe
Believe in the resolute urgency of now
And if you believe there’s not a chance tonight
Tonight, so bright
Tonight
We’ll crucify the insincere tonight
We’ll make things right, we’ll feel it all tonight
We’ll find a way to offer up the night tonight
The indescribable moments of your life tonight
The impossible is possible tonight
Believe in me as I believe in you...
Tonight
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